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DESABAMENTO EM RIO DAS PEDRAS | Cacau: "Desabamento é responsabilidade do Estado, é urgente uma reforma urbana radical"

Mais uma criança é vítima das condições precárias de moradia no Rio de Janeiro e com ele foi-se seu pai. Se o estado por meio das balas da polícia retira sonhos todos os anos, é também responsável por essas mortes.

sexta-feira 4 de junho | Edição do dia

A história dos desabamentos é um problema urbano profundo do Rio de Janeiro, que é fruto do racismo de como a cidade se construiu com os negros tendo de construir suas próprias casas e sem nenhum direito no pós-abolição. Com Crivella vimos claramente, aconteceu no Vidigal, na Niemeyer, no Tunel Zuzu Angel, na Rocinha, na Muzema e agora com Paes novamente, no Rio das Pedras, retirando vidas de inocentes por uma tragédia anunciada, pela precarização de vida do capitalismo.

A favelização acelerada do Rio a partir da década de 60 criou as bases para essa tragédia de hoje, é um estado que marcadamente serve somente aos empresários e aos milicianos. Não fazem nada para melhorar as condições de moradia, as pessoas são obrigadas a viver em condições precárias, em 2019 eram 14.204 casas ameaçadas de desabar em 218 áreas de alto risco e outras milhões que não tem direito a saneamento básico. Um estado que nos nega tudo e é o grande responsável e permite a ação de grupos que lucram com a especulação que só aprofunda o problema histórico da precarização de vida dos trabalhadores negros no Rio de Janeiro.

Paes fez demagogia sem dizer como melhorará a condição de vida dos moradores e focou nos grupos milicianos, que são em sua maioria membros do judiciário, militares da ativa e da reserva, mas não esquecemos que já defendeu em 2006 a legalização das milícias: “a tal da polícia mineira, formada por policiais e bombeiros, trouxe tranquilidade para a população”. Castro, ex-vice de Witzel, é responsável pela 2º maior chacina da história do Rio leva a frente o legado miliciano de Bolsonaro no governo do estado, que é também o das moradias precárias e os desabamentos, como o que ocorreu na Muzema.

São milhões de trabalhadores e moradores de favela que tem condições precárias, e ao invés de depositar esperança que será possível resolver essa situação com uma aliança com Paes como postula Freixo para as próximas eleições, saibamos que só uma reforma urbana radical, com saneamento básico e moradia digna para todos, através de um plano de obras públicas controlado pelos trabalhadores é que só vamos conquistar essa demanda elementar. Para resolver de fato os problemas profundos do Rio, somente será possível através da expropriação dos lucros capitalistas imposta pela luta. Esse plano também atacaria o desemprego, a fome e a precariedade de vida que são causadoras da violência urbana.

É necessário ampliar a auto-organização a partir dos locais de trabalho e de estudo, e potencializar o dia 19, as centrais sindicais precisam urgentemente convocar uma paralisação nacional!




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