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VACINAS | A doação de 80 milhões de vacinas por Biden são migalhas: pela quebra de patentes já

O presidente norte-americano, Joe Biden anunciou a doação de 80 milhões de doses de vacina contra a covid para o mundo todo. 6 milhões serão para a America Latina, um continente com mais de 600 milhões de habitantes. Frente a essa doação insuficiente, é preciso lutar pela quebra de todas as patentes para garantir vacinação para todos.

sábado 5 de junho | Edição do dia

Recentemente vimos o governo norte-americano de Joe Biden prometendo uma doação de 80 milhões de doses de vacinas contra a covid para vários países do mundo. Nesta semana, o presidente norte-americano anunciou a doação de até 6 milhões de doses somente para a América Latina. A mídia e muitos governos, como do Brasil agradecem pelo o recebimento das vacinas (sem saber a quantidade exata que será destinada para o país), essa “generosa” doação de Biden é ainda insuficiente para a real demanda para o mundo inteiro, e está a serviço de encobrir a enorme desigualdade na vacinação imposta pela irracionalidade do sistema capitalista.

É impressionante vermos as quantidades que serão destinadas para cada país ou continente e ver como quão insuficiente são, quando comparadas com os números necessários para imunizar a população. Serão 6 milhões para a América Latina, em um continente com mais de 625 milhões de habitantes onde os índices de vacinação na maioria dos países ainda é baixo. Chega a ser inferior que a doação feita pelo Estado Espanhol de 7 milhões de doses para a região. É mais absurdo ainda ver o avanço da pandemia na região. Segundo o site Our World in Data, da Universidade de Oxford, dos 10 países com mais casos registrados diariamente por milhão de habitantes, apenas três não estão na América Latina. O próprio Brasil não é só o pior da América Latina, mas é também o segundo país com mais mortes em todo o mundo para a covid, com uma média diária de quase 2 mil mortes. Além de ser um país onde a maior parte da população sequer tomou a primeira dose, e não é o 4° país que mais vacina, como mentiu Bolsonaro durante seu pronunciamento na última semana.

Para a África, continente onde vários países estão passando pelo pior momento da pandemia, Biden vai destinar apenas 5 milhões de doses, sendo que a população chega a mais de 1,216 bilhão de habitantes. É extremamente absurdo e de uma cretinice Biden buscar posar como quem salvará esses países destinando tão poucas doses. Ainda mais para um continente que vive em extrema miséria, sofrendo não só com a covid, mas com muitas outras doenças, com a fome, e com o saneamento básico ultra precário. Um terreno fértil para disseminação do vírus. Outros continentes, como a Ásia, irão receber 19 milhões de doses, o que também é bastante insuficiente. A Índia, que nos últimos meses virou o novo epicentro da pandemia com a nova cepa que surgiu na região e matou mais de 344 mil pessoas, tem uma população de mais 1,366 bilhão de pessoas. Muito mais que a África concentrada em um país também de extrema miséria.

Os dados deixam bem explícito que a política do governo dos Estado Unidos é puramente demagógica querendo se pintar de responsáveis contra a pandemia e contribuir para a vacinação dos demais países, com doações que só garantem a primeira dose para a população. Nem essa demanda os Estado Unidos consegue responder, mesmo agora com um governo democrata de Biden que teve apoio inclusive de setores da esquerda, como o MES, corrente interna do PSOL. A garantia de vacinas para toda a população não ocorreu ainda devido aos interesses dos grandes empresários dos países imperialistas. A ganância que esses parasitas têm em lucrar em cima das patentes de pesquisa e produção das vacinas impõe uma dinâmica de vacinação desigual e ineficaz internacionalmente. Ao mesmo tempo, o governo norte-americano já injetou trilhões de dólares para que os grandes banqueiros não quebrassem durante a crise econômica, mas quando se trata de doar bilhões de doses de vacinas que custam em média US$ 37, para todo o mundo, a escolha é por fazer demagogia com uma quantidade de doses que não responde à demanda colocada.

Seguindo neste ritmo, a pandemia seguirá custando milhares de vidas todos os dias. Novas cepas e variantes vão surgindo e também as ameaças de novas ondas, como uma possível 3° onda no Brasil, que podem estourar no marco do descontrole imposto por Bolsonaro e pelos governadores. Isso significa também mais colapso nos sistemas de saúde, como já vimos em alguns estados novamente, ao mesmo tempo que a miséria, a fome e o desemprego assolam a classe trabalhadora e a população pobre.

É necessário lutar para impor imediatamente um plano de vacinação que dê condições à imunização universal da população, e não apenas de uma parte mínima dela, como os governos de Biden, dos países imperialistas e seus subordinados como Bolsonaro no Brasil querem. Os sindicatos deveriam erguer uma forte campanha nacional pela quebra de parentes, como parte de preparar também os atos do dia 19 de junho. É necessário levantar um programa independente e dos trabalhadores de combate à crise sanitária. Além da quebra de patentes das grandes indústrias farmacêuticas, que só pensam em lucrar com a catástrofe, defender que os próprios trabalhadores da saúde, junto a especialistas disponham das pesquisas e resultados, concedendo acesso público a esses dados, com independência dos governos que, juntos às grandes empresas, já demonstraram que a produção de vacinas está subordinada aos lucros, mesmo que isso signifique a morte de milhões.




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