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Greve da MRV em Campinas | “A MRV paga meio milhão para a arena do Galo, mas deixa seus trabalhadores sem direitos”, diz operário em greve

Rubens Menin, fundador e presidente da MRV, dono de uma fortuna de 2,2 bilhões parece ter bem claras suas prioridades: para o clube de futebol Atlético Mineiro, doação de terreno da sua empresa para construção de um estádio para o time e quase 500 milhões para a obra. Já para os trabalhadores da sua empresa, que por sinal são os que constroem sua fortuna, péssimas condições de trabalho, super exploração e não pagamento da PLR.

terça-feira 3 de agosto | Edição do dia

Desde o dia 13 de julho, os trabalhadores da construção civil da MRV em Campinas estão em greve. A reivindicação é pelo pagamento da PLR e por melhores condições de trabalho.

O bilionário Menin, conhecido por suas boas relações com políticos burgueses, além de fundador e acionista majoritário da MRV, é um dos donos da CNN Brasil, Rádio Itatiaia e do Banco Inter. A MRV apenas no primeiro trimestre desse ano, em plena pandemia, lucrou 137 milhões.

Como a ganância dos capitalistas não tem limites, nesse mesmo período os trabalhadores denunciam a falta de papel higiênico, sabonete, álcool em gel, e outros produtos de limpeza.

No entanto, a prioridade de Menin está bem longe de ser a situação dos trabalhadores que produzem sua riqueza, como mostra o montante destinado à construção do estádio do Atlético Mineiro, nada menos que meio milhão de reais, enquanto seus trabalhadores passam por situações humilhantes nos canteiros país afora.

Durante a greve, os trabalhadores destacam que "para o Galo tudo, para os trabalhadores nada", desmascarando as esdrúxulas escolhas que o patrão faz com sua riqueza e seu escandaloso lucro.

Além do Atlético Mineiro, Rubens Menin já patrocinou times como o Flamengo, São Paulo, entre outros.

Nada surpreendente para uma empresa com denúncias confirmadas de condições de trabalho análogos à escravidão. Resquício dessas situações e uma profunda precarização do trabalho também é descrita por um dos trabalhadores em greve:

Dentro do canteiro de obras tem muitas situações que não poderiam estar acontecendo no século XXI. A gente tem trabalhador batendo massa com enxada, até porque existe uma coisa chamada betoneira que serve pra isso. E também existe massa pronta que a empresa poderia comprar pra facilitar o trabalho. Além disso, muitos trabalhadores carregam peso acima do limite, usando escada, ou seja, carregando peso por 9, 10 andares. Muitos trabalhadores fazem isso, mas porque são obrigados, pois muitos de nós precisam desse emprego. Isso não é nem permitido dentro da lei trabalhista, mas isso acontece muito no canteiro. A greve surge também disso.

Com vários atos pela cidade de Campinas durante esses dias de greve, os trabalhadores demonstram uma enorme força fruto da sua organização que pode ser ampliada e tomada como exemplo em cada canto do país.

Para barrar essa força, a empresa está assediando os trabalhadores para encerrarem sua greve sem que suas reivindicações sejam atendidas. Nós do Esquerda Diário, junto ao Nossa Classe Educação e a Juventude Faísca, reforçamos nosso chamado para todos os parlamentares da esquerda de Campinas, assim como suas organizações, entidades estudantis e centrais sindicais como a Intersindical e a CSP Conlutas a somarem suas forças e cercar de solidariedade essa importante mobilização.




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