Política

Viagem de Lula ao DF: política para 2022 mira em conciliação e privatizações

Repetindo a mesma tática do período pré golpe institucional, quando tentou frear o golpe contra Dilma através de acordos e alianças, Lula volta a montar seu bunker em um hotel no Distrito Federal para receber todo tipo de empresário e político que queira dialogar e estabelecer conciliação de interesses com o candidato.

quinta-feira 13 de maio| Edição do dia

Foto: Reprodução/Instagram

Pelo visto o PT não aprendeu nada com seus próprios erros do passado e agora segue escolhendo estar ao lado de golpistas ao invés de apostar na mobilização dos trabalhadores, já que ainda dirige a maior parte dos sindicatos e dos trabalhadores sindicalizados, contra tudo o que esse regime do golpe fez e faz contra trabalhadores e a juventude. Com sua política de conciliação de classes, o PT abriu espaço para o fortalecimento de alas que hoje são base da ideologia e política reacionária de Bolsonaro, como a bancada do boi, da bala e da bíblia. Fora os militares que seguem sendo bem poupados nos discursos de Lula, assim como faz com outras alas, como o STF e judiciário e o Centrão, atores do golpe institucional.

Pela atuação que o PT tem tido na direção da CUT e, consequentemente, das grandes centrais sindicais, com sua burocracia sindical atuando para dividir os trabalhadores e isolar os focos de resistência que surgem, não impulsionando a unidade entre todos os trabalhadores e os movimentos sociais como de [email protected] e das mulheres; vê-se que o partido segue com sua política que tem como centro a atuação em eleições e alianças distintas para se manter por dentro do regime vigente e salvar a obra econômica que o golpe institucional promoveu até agora com reformas, retirada de direitos e uma condução desastrosa da pandemia que já tirou a vida de quase 430 mil trabalhadores.

Veja também: A estratégia petista: “eleições acima de tudo, Lula acima de todos”.

Desde que Lula recuperou sua elegibilidade - determinada pelo mesmo STF que foi protagonista no golpe de 2016, no sequestro dos votos da população em 2018 e na prisão arbitrária de Lula - o que mais vemos são os diálogos que o ex-presidente vem abrindo com setores do “centro” e da direita, sem sequer mencionar qualquer palavra contra as reformas, contra o regime golpista ou contra privatizações. Pelo contrário, Lula sinalizou até mesmo defender a privatização da Caixa e outras empresas públicas; fala dos ataques que sofremos como Reforma Trabalhista e da Previdência, mas não fala em derrubá-las se for eleito, e sim seguir a administração das “margens estreitas” impostas pelas reformas de concessões, como afirmou José Genoino e segue afirmando outros militantes históricos do PT, já imaginando um novo governo petista com Lula.

Veja aqui:Maíra Machado: "Lula quer capital privado dentro da Caixa Econômica, Correios e Eletrobras".

O que essa política do PT leva é à garantia dos lucros de empresários que enriquecem às custas da fome e precariedade da vida, fazendo assim mais política para aqueles que pediram e ganharam com o golpe e ataques de retirada de direitos, do que para aqueles que sofrem hoje com a pandemia e a crise econômica, os trabalhadores.

A luta de classes que se levanta em outros países, como na Colômbia hoje, pode servir de exemplo para os trabalhadores. Nós podemos dar uma saída independente da classe trabalhadora em ruptura com o capitalismo que nos faz hoje morrer também de Covid e de fome. As centrais sindicais precisam sair dessa paralisia e impulsionar mobilizações e a organização de diversas categorias, em unidade com os movimentos sociais, para que se coloque de pé uma política que vá até raiz dos problemas colocados e que se choque com os ataques e degradação da vida imposta por governos e patrões aos trabalhadores, ou seja, que se enfrente com todos que querem descarregar a crise nas nossas costas.

Mas o PT vai na contramão disso, apostando em uma saída de alianças, pedidos de impeachment de Bolsonaro para deixar Mourão, um militar que reivindica o golpe de 64, a cargo de dar seguimento a esse governo reacionário, e esperar passivamente as eleições de 2022.

Uma política que não tenha interesse em romper com o capitalismo, não oferece alternativa concreta para os trabalhadores e a juventude tendo em vista que o próprio capitalismo mundialmente está em crise, não permitindo concessões maiores da burguesia, ou que reformas paliativas salvem a população da miséria. O capitalismo nem mesmo consegue responder a uma pandemia sem que inúmeras vidas sejam perdidas.

Para atacar Bolsonaro e o regime do golpe de conjunto, é preciso questionarmos não os jogadores ou a troca destes, mas sim as regras desse jogo. Com a nossa organização política, a partir de cada local de trabalho e estudo, colocando os sindicatos à serviço dessa organização, podemos por meio da mobilização de classe levantar uma nova Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde sejam discutidas todas as regras desse sistema político, lutando por um governo que não seja baseado em privilégios, mas sim à serviço dos interesses da maioria que faz essa sociedade existir: a classe trabalhadora.




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