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GRÉCIA

Greve de trabalhadores públicos contra o acordo de Tsipras e a Troika

A Confederação de Sindicatos do Setor Público da Grécia (ADEDY) resolveu nesta segunda-feira convocar uma greve geral de 24 horas para a quarta-feira contra o novo memorando assinado por Alexis Tsipras com a Troika. Neste dia está prevista a votação do acordo no Parlamento.

Diego Lotito

Madri | @diegolotito

terça-feira 14 de julho de 2015| Edição do dia

A paralisação foi resoluta no rechaço ao pacto assinado ontem pelo governo grego e a Troika de credores, o qual inclui uma série de brutais medidas de ajuste, que incluem a reforma das pensões, um aumento dos impostos diretos e indiretos e das cotizações à Segurança Social, entre outras medidas.

É a primeira medida de força convocada pelos sindicatos de trabalhadores públicos desde que Alexis Tsipras assumiu como primeiro ministro, ainda que não seja a primeira greve contra o Governo de Syriza-ANEL. A finais de maio e em meio às negociações com os credores, os médicos e os trabalhadores dos hospitais públicos gregos já haviam apoiado uma greve de 24 horas, para exigir ao governo o desembolso dos fundos prometidos para a arruinada saúde pública.

A greve acontecerá no mesmo dia em que o parlamento grego deverá resolver se apoia o acordo pactuado entre Tsipras e o Eurogrupo após a maratônica reunião deste final de semana. O novo memorando impõe ao Governo grego a adoção daqui até quarta-feira de todas as medidas acordadas.

“Chamamos a uma greve geral de 24 horas, durante a votação do acordo antipopular, e a manifestações a partir das 19h locais na Praça Syntagma” – a simbólica praça de Atenas que foi o cenário de massivas manifestações nos últimos anos – indicou um comunicado de ADEDY.

Para a terça-feira, a confederação sindical convocou seus filiados a realizar assembleias gerais e a ocupar os edifícios públicos em sinal de protesto.

“Poucos dias depois do referendo do 5 de julho, em que 62% dos gregos votou Não às novas medidas, nos encontramos igualmente como se o referendo não tivesse sido celebrado”, assinalou o sindicato de funcionários locais, pertencentes a ADEDY, em um comunicado.

ADEDY participou também esta segunda-feira de um comício de protesto contra o acordo na praça Syntagma, convocado pela coalizão de esquerda anticapitalista Antarsya.

Desde o executivo de ADEDY há membros da coalizão anticapitalista Antarsya, do META, corrente sindical orientada pelo Syriza, e o PAME, frente sindical hegemonizada pelo Partido Comunista Grego (KKE).

Há duas semanas o PAME teria proposto convocar a greve mas ex-membros da Executiva do sindicato, pertencentes ao PASOK e à Nova Democracia, impediram a votação mediante uma manobra burocrática, segundo assegurava no domingo em sua página do facebook Kevin Ovenden, militante socialista britânico.

Para a quarta-feira também convocaram uma greve de 24 horas a associação de farmacêuticos, que se opõe à liberalização da profissão contemplada no pacto, assim como o sindicato Poe-Ota.

A classe trabalhadora grega, que nos últimos cinco anos fez 33 greves gerais contra os governos do PASOK e Nova Democracia, começa assim a sair novamente à luta. Mas esta vez contra a traição do Governo de Tsipras e o “pacto de colonização” assinado com os credores, uma semana depois do referendo em que uma ampla maioria do povo grego votou Não à Troika.




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