Política

PERSEGUIÇÃO JUDICIAL

Auditora fiscal é presa no RN por provável perseguição de juiz denunciado por corrupção

A auditora fiscal do Rio Grande do Norte Alyne Bautista foi presa na manhã desta quarta (14) pela Delegacia de Combate à Corrupção do Estado. O motivo da detenção não foi anunciado porque o caso está em segredo de Justiça

quinta-feira 15 de abril| Edição do dia

(Juiz e empresário Jarbas Bezerra, envolvido na denúncia da auditora)

Ela e familiares acreditam que seja uma represália às denúncias feitas por Alyne contra o juiz Jarbas Bezerra pela compra de R$ 4 milhões em livros, sem licitação, voltados para a promoção de cidadania entre jovens, efetuada pela secretaria de Educação do Estado.

Duas compras teriam sido realizadas pelo governo de Robinson Faria (PSD), uma pela Sejuc (Secretaria de Justiça e Cidadania), e uma última na gestão da atual governadora Fátima Bezerra (PT), também via Secretaria de Educação.

A denúncia feita por Alyne era de que o governo estadual teria comprado livros de cidadania produzidos pela empresa de Jarbas Bezerra, hoje juiz da 16ª Vara Criminal de Natal, no valor total de R$ 4 milhões. Na ocasião a própria secretaria de Educação tinha cerca de seis mil livros atuais sobre o mesmo tema doados pelo governo do Ceará, que nunca tinha sido distribuídos.

O juiz também era presidente do Programa Brasileiro de Educação e Cidadania (Probec) durante a gestão de Robinson Faria, órgão da secretaria estadual de Educação responsável por promover a cidadania entre jovens.

Após as denúncias, o juiz Jarbas Bezerra teria passado a denunciar Alyne Bautista. Ela foi presa na manhã dessa quarta-feira, após a PF cumprir mandato de busca e apreensão na sua casa, ordenado levar a auditora até a delegacia. Contudo, ela é diabética e do grupo de risco e se recusou a ir, quando então a chefe da operação decretou voz de prisão contra ela. Ela foi levada para uma cela coletiva, apesar da situação da doença.

“É irônico e mesmo revoltante que seja, justamente, a delegacia responsável por combater a corrupção, que tenha feito a prisão daquela que denunciou atos possivelmente corruptos. E que os órgãos de fiscalização como TCE [Tribunal de Contas do Estado] e MPC [Ministério Público de Contas] apontaram como denúncias sérias”, criticou Wilson Azevedo, esposo de Alyne ao Saiba Mais.

Repudiamos essa prisão e todo tipo de abuso e perseguição por parte do Judiciário. Após a Lava-Jato e o golpe institucional, cada vez mais o judiciário sustentam um apito sobre a situação política do país, se valendo de todo tipo de medida autoritária de perseguição, recentemente se utilizando da LSN contra um adversário político bolsonarista. Todas essas medidas significarão aumento da perseguição política contra os trabalhadores e suas organizações, por isso devem ser rechaçadas pelo conjunto desses setores.




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